Ricardo cruz

Marketing não é nada mais que sonhar com o futuro, acreditando no passado.

Ricardo cruz

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sexta-feira, 9 de abril de 2010

Portugal está à porta do top 10 das assistências na Europa

A ideia feita de que Portugal é um país com poucos espectadores nos estádios pode ter pés de barro. Esta é, pelo menos, uma das conclusões de um trabalho desenvolvido pelo gabinete de Estudos de Marketing para Desporto do IPAM (Instituto Português de Administração de Marketing) sobre 36 ligas europeias – a análise abarca as jornadas disputadas esta temporada, até Dezembro de 2009. De acordo com o estudo, a principal prova do futebol português surge no 11.º lugar, com uma média de 10.894 adeptos por jogo.

“Ao contrário daquilo que se pensa, Portugal não tem más assistências nos jogos de futebol. Temos uma média superior a dez mil adeptos por jogo, o que é muito interessante, e estamos em 11.º lugar entre 36 países. Quando comparados com um país com uma população idêntica, como é o caso da Bélgica, verificamos que temos números de espectadores muito semelhantes (média de 11.811 na Bélgica). Este estudo demonstra que os estádios não estão vazios, mas que provavelmente estão sobredimensionados para a nossa realidade”, explicou ao PÚBLICO o responsável por este estudo, Daniel Sá.

A média alcançada pela Liga portuguesa deve muito, como é habitual, aos três “grandes” e à massa de adeptos que arrastam. No ranking por clubes, por exemplo, o Benfica surge na 17.ª posição num universo de 544 emblemas (com média de 46.737 espectadores por jogo), o FC Porto na 40.ª (34.428) e o Sporting na 52.ª (27.259). “Esta média está muito influenciada pelos designados três ‘grandes’, que representam 62 por cento dos espectadores da Liga portuguesa”, concretiza Daniel Sá, que não poupa elogios ao trabalho “notável” em termos de marketing que tem sido desenvolvido pelos clubes: “Está ao nível do melhor que se faz na Europa”.

O investigador vai mesmo mais longe e aponta casos em que os clubes portugueses estão na vanguarda de algumas iniciativas: o Benfica, por exemplo, permite a compra de bilhetes por telemóvel e entrar no Estádio da Luz apresentando apenas o registo telefónico, e as Game Box do Sporting têm tido bons resultados. “O problema é que este trabalho começou a ser desenvolvido apenas nos últimos dez anos, enquanto os clubes em Inglaterra ou na Alemanha apostaram no marketing há mais tempo”, anota.

O exemplo alemão

Sempre que se fala de atrair multidões aos estádios, tem de mencionar-se a Alemanha, um dos exemplos a seguir na matéria. Trata-se do país que consegue arrastar mais adeptos (42.790 por jogo) e consegue colocar quatro clubes entre os 10 primeiros, uma lista liderada pelo Barcelona, que esmaga a concorrência com uma média de 82.648 por jogo.

Curiosamente, o emblema líder na Alemanha é o Borússia de Dortmund, um clube que desde 2001-02 não conquista qualquer título. Neste grupo de “elite”, entram ainda o Bayern de Munique, o clube germânico com mais títulos nos últimos tempos, o Schalke 04 – que ocupa actualmente a segunda posição na Bundesliga, mas não vence a principal prova alemã desde 1958 – e o Hamburgo, também há muito tempo arredado dos títulos.

Quanto a Inglaterra, conta apenas neste top com o Manchester United e o Arsenal, tantos clubes quanto Espanha (Barcelona e Real Madrid). Itália coloca o Inter de Milão já no fim da lista, no décimo lugar.

De volta a Portugal, há um outro indicador que abre boas perspectivas para o futebol nacional. Quando se compara a relação total da população e espectadores nos estádios, a Liga portuguesa passa do 11.º para o 9.º lugar. Ainda assim, os promotores deste trabalho acreditam que existe espaço para uma evolução, desde que se faça um trabalho sério de marketing.

Daniel Sá lamenta, porém, que, além dos três “grandes”, apenas o Sp.
 Braga e o V. Guimarães estejam (nos últimos quatro anos) a apostar de forma segura na captação de espectadores, “o que lhes trará dividendos a longo prazo”. “Os outros clubes preferem investir uma verba que seria suficiente para desenvolver um plano sólido de marketing na contratação de um jogador”, referiu, lembrando que as receitas de bilheteira representam cerca de 40 por cento das receitas dos grandes clubes europeus.

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